Em tese, a medida da Secretaria Estadual de Educação (SEC) de usar o Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Rio Grande do Sul (Saers) pode parecer boa. Mas só em tese! Esta é mais uma ação da SEC desprovida de qualquer compromisso com a realidade da educação pública do Estado. Seja pelos discutíveis resultados deste sistema – inventado pela atual gestora da educação no Estado – ou, ainda, pela sua incapacidade de relacionamento.
A forma como a secretária Mariza Abreu trata o tema educação ou a forma como se dirige aos educadores públicos do Rio Grande do Sul, não é adequada. Ela não ganha a simpatia da categoria, ao contrário, gera uma crescente revolta entre os educadores que, além dos indignos salários, são vítimas de ironia, provocação e menosprezo. Isso sem falar na elevada carga de trabalho que todos os educadores do Estado passaram a ser submetidos neste governo.
A “pirotecnia” da secretária Mariza Abreu em dizer que a qualidade do ensino no Rio Grande do Sul será melhorada, exatamente, a partir da utilização dos indicadores subtraídos do Saers, é mais uma falácia. Sem educadores motivados, elevados na sua auto-estima e, suficientemente, mobilizados, não haverá educação pública de qualidade entre nós. O processo tem início com o respeito na hora de tratar com os professores e no reconhecimento de uma classe fundamental para o crescimento e para o futuro do país.
Todo o método científico, capaz de nortear ações que tragam bons resultados a nossa educação, deve ser reconhecido e adotado, desde que seja, realmente, científico e confiável. Este não é o caso do Saers! Ainda mais porque ele não conta com o entusiasmo e a mobilização de uma das partes do processo ensino-apredizagem – os professores – que se encontram, com toda a razão, desestimulados e profundamente insatisfeitos.
Luiz Afonso Medeiros
Coordenador do Movimento Educação Já - RS
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Saers - mais uma falácia
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